Depois de uma conversa com a namorida sobre como o blog e seus posts estão se deteriorando, ela pela primeira vez na vida, fora de fato útil e me deu a idéia para escrever um post sobre mais um dos meus traumas. Bicicletas.
Não sei se é pelo fato do meu pai ter tido histórias traumatizantes de como roubaram a bicicleta dele de pedra na adolescência - a 40 anos atrás ainda não havia borracha, né? - enquanto ele comprava revistinhas da Mônica, homem-aranha, playboy, jornal ou seja lá o que ele estava comprando ou se é pelo simples fato de eu ter nascido para andar sob duas pernas, e não duas rodas.
O primeiro fato ocorrera na época mais corrida, esportiva e conseqüentemente mais dolorosa da minha vida, a época em que eu fui durante um ano e meio um paulista viciado em futebol, basket e esportes num geral - passando por polícia e ladrão no meio dos carros e esconde-esconde nos blocos vizinhos. Pela primeira e provavelmente única - pelo menos que eu me lembre - meus pais me fizeram uma surpresa e pediram para eu descer lá na garagem para ir buscar as compras. Chegando lá, todo emburrado - eu odeio pegar compras - vejo que na verdade era uma bicicleta super maneira - aos 7 anos tudo é super maneiro - vermelha, que eles tinham acabado de comprar.
Como toda bicicleta nova, o freio tava ridiculamente duro, a ponto de uma criança anêmica não conseguir usá-lo, o que fazia com que eu tivesse de andar bem mais lento do que meus amigos. Meus amigos sempre foram mais velhos e conseqüentemente mais fortes, esse deve ser o principal motivo de eu sempre me fuder no final das contas. Eles andavam muito mais rápido do que eu. Eu me corroia por dentro. “Não é justo, eu sou tão bom quanto eles, só uns 3 anos mais novo.” assim pensava eu, criança inocente. Com os hormônios competitivos a flor-da-pele decidi acelerar aquela jagunça. Que se foda o freio, quero viver a emoção de correr com uma bicicleta. Péssima idéia. Na frente tinha uma parede, do lado a trave do gol e do outro lado a outra parede. Sem freio. Que diabos eu ia fazer ali?!
No momento a melhor opção me pareceu ser ir de cara na parede da frente, pelo menos não precisaria gastar tempo girando o guidon ou seja lá como se escreve isso. Bem, não sei se foi a melhor, pois não cheguei a experimentar as outras, mas dei de cara na parede, entortei a bicicleta toda e abri uma rachadura na minha canela inteira.
Alguns aninhos depois eu já não era mais um paulista, mas os rastros ainda estavam no meu sangue, e mesmo que não devesse, eu ainda queria ficar o dia inteiro praticando esportes.
A moda na época era andar de patins. Todos tinham um patins. O meu já era velho quando meu irmão 7 anos mais velho usava, naquela época o troço despencava, mas ainda assim eu era o melhor no esporte, tanto em velocidade como em manobras.
O Ramon (um dos amiguinhos doentes do prédio) estava extremamente chegado ao Matheus (um moleque estranho que nunca descia, ficava sempre em casa) e os dois ficavam trancados no quarto o dia inteiro jogando o video-game novo. De repente chega o Ramon na janela e fala “Nossa! Olha o quintal do vizinho! tá tudo molhado, parece uma piscina” - naquela noite havia tido uma tremenda chuva, muito forte mesmo. Eu estava de patins, mas nem por isso me privei da linda visão. Peguei a bicicleta de um amigo, coloquei no muro e subi nela … de patins.
Após ver aquilo falei para a garota que tava passando ali “Hey, joga a bicicleta no chão pra eu me prender na parede e depois cair em cima da bicicleta a salvo.” A retardada ao invés de soltar a bicicleta, prendeu-a com mais força na parede, o porque eu não sei. Quando eu pulei achando que a bicicleta estava no chão, aquele lugarzinho que fica a correia entrou na minha perna.
O resto ta me dando aflição de contar, mas vocês já devem imaginar.
Resumindo, diga não às bicicletas e a todos os esportes que você possa imaginar, menos levantamento de talheres.

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