Brasil Nunca Mais: De Getúlio Aos Generais

Na última quarta feira, minha professora de história organizou uma ida ao Norte Shopping para vermos uma peça chama “Brasil Nunca Mais: De Getúlio aos Generais” que ocorrera no Teatro Miguel Falabella.

O ônibus saiu da escola precisamente 18:00 e chegamos no shopping 18:30, sendo que a peça era 20:00. Logo, ficamos 1:30 fazendo merda no shopping. Após ler esse post, você perceberá que a minha definição de “Merda” é a de uma criança completamente sem infância que nunca teve problemas com a polícia.

Bem, o primeiro rolo é o fato de que TODO MUNDO foi de preto. De 40 cabeças, só umas 5 criaturas foram de uma cor sem ser preto, e ainda assim era sempre um verde escuro ou um casaco preto.

Assim que saímos do ônibus, meus olhos se entrelaçam com o do resto do povo e dizemos mentalmente “hoje vai dar merda!”.

Começamos a andar pelo shopping, é incrível como as pessoas se perdem do resto do bando ao andar no shopping. Em menos de 5 minutos as 40 pessoas se transformaram num grupo de apenas 10.

Nos deparamos com o local que futuramente seria o motivo da nossa primeira visita à segurança do shopping, a escada rolante. *música de suspense*

Subimos, descemos. Subimos de novo, e descemos outra vez. E assim ficamos por uns 5 minutos, só que correndo e atropelando as pessoas que estavam subindo e descendo calmamente. Até que um segurança chega pra um dos caras e fala “Hey você de camisa vermelha - ele era o único de camisa vermelha -, vem aqui!” e nós, retardados, fomos junto com o cara de camisa vermelha, menos o Pedro que fingiu que não nos conhecia e foi embora, fdp …

 

- Como você se chama ? - perguntou o guarda

- Josenildo - respondeu o RENAN

 

Percebendo o sarcasmo na resposta do “Josenildo” o policial leva na brincadeira e fala:

 

- Amigo, vocês não podem ficar fazendo isso e aquilo e blá blá blá na escada e blá blá blá

 

Então, o Renan fixa o olhar em um ponto qualquer do shopping e grita “OLHA AQUILO ALÍ!” . Quando o guarda olha, instintivamente mais de 20 adolescentes vestidos de preto saíram correndo pelo shopping e gritando feito condenados prestes à morte. Enquanto isso o policial passava o rádio pro resto do shopping que a essa altura já corria atrás de qualquer um com cara de ter entre 13 e 17 anos. Parecia o BOPE invadindo um shopping, eu fiquei felizão.

Nos escondemos no primeiro beco que apareceu - o estacionamento - e esperamos uns 5 minutos até os guardas se cansarem. Enquanto isso armávamos um sagaz plano sobre como nos separarmos dos mais “lentos” do grupo, aqueles que durante uma fuga seriam pegos e acabariam dando com a língua entre os dentes depois de muita tortura. Os lesados deviam ser eliminados. Eu, Renan, Ozama e Eddy bolamos um plano. Cada um ia pra um lado e correria o máximo que pudesse depois de chegar em um certo ponto. Depois de nos livrarmos dos “lesados” nos encontraríamos na loja da Oi. A questão é que só quem conseguiu efetuar corretamente o plano fora eu e o Eddy. Então, após esperarmos alguns minutos, vimos que os incapazes não poriam o plano em prática e partimos para a unidade de alimentação, vulgo praça de alimentação, onde os mais riquinhos estavam lanchando no McDonalds.

 

- Hey Fernando, tú vai querer essa batata aí ? Hein ? Hein ?? - Eu pergunto meio que obrigando ele a dizer que não.

- Ah, pó fica, brow, eu nem gosto de batata. - disse Fernando com total desleixo de sua parte.

 

Como alguém consegue não gostar da batata frita do mcdonalds ? TODO MUNDO GOSTA DA BATATA FRITA DO MCDONALDS! Então, ainda bem que ele não gosta, porque eu a comi inteirinha enquanto bebia o milk-shake do Eddy. Batata-frita e Ovomaltine, péssima combinação, mas com fome eu como até … bem, eu como muita coisa.

Após comermos a comida dos outros, e andarmos feito corno, finalmente encontramos o Ozama e o Renan, que não conseguiram se livrar dos lesados deles, e ainda por cima, TINHAM SE ENCONTRADO COM OS NOSSOS LESADOS! Mas já estava na hora da peça e os policiais já estavam cansados.

 

Assim que entramos no teatro já começamos fazendo besteira. Eu peguei a cadeira E-6, o Eddy pego a E-4 e o Ozama a E-2. Tava na cara que ia dar merda. Começamos a zonear essa parada de “lugar” e sentamos em qualquer lugar mesmo .

Não sei se vocês sabem, mas Getúlio Vargas já está morto.

E durante a encenação de seu funeral, o Ozama faz aquele barulho de peido com a língua baixinho, só para eu e Eddy rirmos. Acontece que o PH escutou, e fez alto, MUITO ALTO, o mesmo barulho. O Teatro inteiro riu, inclusive os atores, o que fez criar uma raiva profunda em um dos deles. Quando as luzes se acenderam - quando alguém morre numa peça se apaga as luzes e deixa-se somente uma luz branca no lugar do corpo - o ator olhou para onde veio o som, e viu que eu e meus amigos estávamos se despencando de rir. Apontou para nós e disse em códigos  “hey você, playboyzinho de merda, depois quero falar contigo!”. Como estávamos longe, não se sabia com quem era, mas dava medo assim mesmo.

Durante a peça aconteceu vários acontecimentos marcantes, mas eu só me lembro de três, sendo um deles o descrito acima.

O segundo, foi quando os atores encenavam uma revolução, em que se gritava “Diga não à ditadura”. O Ozama, sempre muito culto e contido, quando escuta aquilo fala pra mim e pro Eddy “Minha pica já tá dura”. Não sei vocês perceberam a ligeira semelhança na sonoridade, mas nós percebemos, e começamos a rir alto, MUITO ALTO, fazendo o teatro inteiro rir de nós rindo.

E o terceiro, porém não menos importante, foi uma revolução nomeada de “estalaçao de dedos” por mim mesmo. Eu, Eddy e Ozama tiramos nossos sapatos, e estalamos os dedos da mão e do pé. TODOS. Um a um. Não sei se vocês já perceberam, mas quando alguém faz isso perto de você, você acaba fazendo também, sem perceber. E isso aconteceu. O teatro inteiro começou a estalar os dedos, de modo em que chegava a doer os ouvidos.

 

No final da peça, já umas 21:30, estava acabando o jogo “Vasco x Sei-lá-quem”. Fugimos discretamente da visão da professora e fomos rapidamente para o restaurante - cuja televisão era maior que o próprio restaurante - passando o jogo. Eu odeio futebol, mas fui também pra não ficar sozinho. Acabo que eu fui útil, fui o único baixinho o bastante para entrar pela janela e ver que o Vasco ganhara de 1 x 0.

Enquanto voltávamos para a professora, nos deparamos com uma bandinha que tocava ali perto, um cara vestido a lá Roberto Carlos, um gordo que parecia estar dormindo tocando piano, e um cara parecido com o Keith Richards tocando baixo, os 3 cantando clássicos dos anos 60. Eu, meus 2 amigos e uma mulher éramos o único público. A mulher, altamente empolgada, sorria e mandava beijos para o cantor. A questão é que a mulher tinha um bebê nos braços, aí fica a questão, “tá pegando ou só azarando, hein, Roberto Carlos ?!” .

 

Na volta pra casa, já cansados, porém não menos ativos, fizemos de todo tipo de merda no ônibus. Pedimos para o motorista pôr a tv no canal do jogo, mas o cara tava meio grogue e acabou pondo no MTV Hits, que só tava passando clipe da Rihanna. Nos empolgamos com o momento e começamos a fazer STRIP NO MEIO DO ÔNIBUS ! Chovendo, no ar-condicionado, 3 caras fazendo strip! Lado bom: mostrei minha barriguinha sexy para as menininhas. Lado Ruim: Roubaram minha camisa e só devolveram na hora que saímos do ônibus. Vacilo … Enquanto estávamos sem camisa, decidimos fazer um pouco de le parkour no meio do ônibus, subindo no local de bagagem e trepando de todos os modos possíveis nos bancos - não pense besteira na palavra “trepando”.

 

Quando saímos do ônibus, entramos na escola rapidamente, só para beber água. Estava escuro. Muito escuro. Imagina toda a sua escola sem iluminação de noite. A escola já dá medo de dia, imagina de noite!

Empolgados com o momento e nossas vestimentas altamente adequadas, corremos feito retardados para o bebedouro, e em seguida pro banheiro. Fizemos algo considerado por alguns algo muito mal, mwahahaha. Havia 2 meninas que também vieram do passeio no banheiro. O banheiro estava escuro, pela falta de luz. Rangemos a porta, e discretamente entramos, para dar um susto nelas.

Acontece que as sem-graça nem se assustaram, e nós saímos da escola desolados …

 

Cheguei em casa, olhei pra cama, caí e dormi feito um bebê …

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